A Deportação dos Rohingya da Índia para o Mar de Andamão
Por Mônica Santana e Sofia Alves de Araújo
Imagem: Hamida, de 22 anos (ao centro), e seu filho Mohammed, de um ano, aguardam para receber ajuda alimentar junto com centenas de outros refugiados rohingya, no campo de refugiados de Kutupalong, em Bangladesh. © ACNUR/Andrew McConnell
Desde maio de 2025, as autoridades indianas ameaçaram e expulsaram dezenas de refugiados da etnia rohingya para Bangladesh e Mianmar sem qualquer tipo de proteção – informou a Human Rights Watch (2025). As autoridades detiveram, aleatoriamente, centenas de refugiados, maltratando alguns.
Neste sentido, os estados indianos governados pelo Partido Nacionalista Hindu Bharatiya Janata (BJP) iniciaram uma campanha para expulsar os rohingyas justificando serem “imigrantes ilegais”. Entre os expulsos para Bangladesh estavam pelo menos 192 refugiados , mesmo estando registrados no ACNUR. As autoridades também colocaram 40 em um navio perto de Mianmar e os forçaram a nadar até a costa. Existe uma alegação de que a presença dos Rohingya fomenta um ambiente favorável ao terrorismo e ao extremismo, mesmo que essas afirmações careçam de evidências objetivas. Tais afirmações contribuem para a desumanização e genocídio dos Rohingya, alimentando um discurso que os veem como ameaças e fortalece a política de exclusão.
Segundo Elaine Pearson, diretora asiática do observatório dos direitos humanos, a expulsão por parte do governo demonstra um discurso de desrespeito pela vida humana e pelo direito internacional.
Segundo depoimentos das vítimas, esses refugiados nadaram até a praia, e de lá até o município de Launglon, em Mianmar. Um deles usou o telefone de um pescador para entrar em contato com familiares dizendo que foram tratados como criminosos. Um policial disse: ‘Ninguém vai falar por vocês. Ninguém vai nos responsabilizar se matarmos todos vocês’. Alguns sabiam nadar e ajudaram aqueles que não conseguiam chegar à praia.
Segundo o relatório dos Médicos sem Fronteiras (2025), a crise é prolongada, com violência sem fim e cortes na ajuda humanitária. No dia 30 de setembro, aconteceu uma conferência em Nova York orquestrada pela ONU para tratar desta situação. O relatório final intitulado “A ilusão da escolha: as vozes dos Rohingya ecoam dos acampamentos” é o retrato de um questionário realizado entre os dias 26 de agosto e 2 de setembro de 2025 e destaca que 58% das pessoas se sentem inseguras nos acampamentos Cox’s Bazar.
Segundo a repórter Esha Mitra (CNN,2025), a Índia vem secretamente enviando os refugiados para Mianmar. À vista disso, este método de deportação, noticiado pelo Maktoob Media, parece violar os princípios fundamentais do direito internacional, entre eles, a cooperação entre os povos para o progresso e segurança da humanidade.
Com base nessas informações, torna-se evidente a necessidade de dar visibilidade à questão e reafirmar o valor à vida e à humanidade, até que a paz volte a imperar.
Referências:
HUMAN RIGHTS WATCH. India: Scores of Rohingya Refugees Expelled. Hundreds More Arbitrarily Detained, Threatened with Deportation. Disponível em: https://www.hrw.org/news/2025/08/28/india-scores-of-rohingya-refugees-expelled. Acesso em: 23 de outubro, 2025.
MÉDICOS SEM FRONTEIRAS. Em relatório lançado por MSF, pessoas Rohingya revelam falta de perspectiva para o futuro. Disponível em: https://www.msf.org.br/noticias/em-relatorio-lancado-por-msf-pessoas-rohingya-revelam-falta-de-perspectiva-para-o-futuro/ Acesso em: 24 de outubro, 2025
MITRA, Esha. How India secretly sent refugees back to the land accused of committing genocide against them. Disponível em:
https://edition.cnn.com/2025/09/13/world/india-secret-deportations-rohingya-myanmar-intl-hnk-dst Acesso em: 4 de novembro, 2025.
Sobre as autoras:
Mônica Santana é Professora Doutora no Curso de Relações Internacionais da UEPB e Curadora de Migrações e Direitos Humanos do CEA UFPE
Sofia Alves de Araújo é Graduanda em Relações Internacionais pela UEPB
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