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Agendamento midiático e isolamento social

Agendamento midiático e isolamento social

Agendamento midiático e isolamento social

Por Ivo Henrique Dantas | PPGCOM-UFPE

Desde o início da quarentena, em março, que uma das principais polêmicas sobre o novo coronavírus tem sido a necessidade de distanciamento da população. A recomendação da Organização Mundial da Saúde tem se provado a medida mais eficaz de redução do número de casos em todos os países.

Em alguns lugares, como nos Estados Unidos e aqui no Brasil, a medida tem sido adotada principalmente pelos governadores dos estados, impulsionando uma grande quantidade de polêmicas e fake news sobre o assunto, principalmente em relação a um embate com os presidentes Trump e Bolsonaro.

No caso brasileiro, grande parte da mídia tem dado ênfase desde o início ao crescimento do número de casos, bem como a importância das pessoas ficarem em suas casas para reduzir a velocidade da disseminação do vírus. Porém, ao longo das últimas semanas, diversos Estados, como São Paulo e aqui mesmo em Pernambuco, têm relatado preocupação com a constante queda nos índices de isolamento das pessoas.

Apesar das explicações serem várias, passando principalmente pela discussão econômica, um aspecto tem chamado a atenção: a correlação entre essa queda no índice de isolamento e o crescimento da crise política no Brasil. Fizemos um levantamento que identificou que, desde as discussões sobre a saída do ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, a cobertura dos dois maiores portais nacionais passou a dar mais atenção a assuntos políticos. Ao longo das últimas duas semanas, as notícias relacionadas à política têm ocupado lugar de destaque nas chamadas principais dos portais Globo.com e UOL.

Cobertura dos portais

O mesmo pode ser observado em alguns dos principais telejornais, como em edições recentes do Jornal Nacional e do Fantástico, que reservaram grande parte de seu tempo no ar para tratar da crise política. E o processo tente a se agravar com a saída do ex-ministro Moro e as novas nomeações do presidente Bolsonaro. Ou seja, no momento em que o distanciamento social apresenta alguns dos piores índices desde o início da pandemia, a atenção da mídia está dividida entre cobrir o Covid-19 e a crise política, o que tende a reduzir a impressão de importância do vírus diante da população.

A lógica é simples. Quanto menos exposta a informações sobre a gravidade da pandemia, maior a chance das pessoas relaxarem as medidas de proteção, piorando os índices de isolamento e aumentando a disseminação do vírus.

 

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